sábado, dezembro 09, 2006

Um sinal



Mal o sol raiou e eu já estava acordada.
Sentia algo diferente em meu corpo.
Era um pulsar....
Como se fosse, também, uma sensação de "cílios encostando na pele";
Ou então como bolhas de ar sendo tocadas na parede do ventre.
Um caroço, mesmo que pequeno, se mexeu em mim.
Era meu bebê...
Impossível descrever a emoção de saber que um coraçãozinho bate forte dentro de ti!
Já tá valendo!
Meu Deus...

Engana que eu gosto!

Quando li estas frases:
“A mentira traz vantagens indiscutíveis. Bons mentirosos são mais populares e bem-sucedidos . Têm mais status social e melhores salários”;
e esta:
“Políticos são mentirosos profissionais. Mentem habilmente e têm consciência disso. Não estão preocupados em cumprir promessas. Mentem para se dar bem. Quando acreditam na própria mentira, seu poder de persuassão se torna infinitamente maior. Comentário do célebre diretor David Livingstone Smith, da New England University. Portanto, cheguei a conclusão que há uma boa parcela de cidadãos, neste mundo terráqueo, que se baseiam na mentira, no sonho frustrado enfim, no golpe manchado.
São pareceres somados a fatos que ouço, no meu trabalho, na família e em várias tribos sortidas!
E será que as pessoas acreditam em suas próprias mentiras mesmo? Caracas! Como pode?
O cérebro humano é o próprio Cirque du Soleil! Cheio de contorcionismos verbais, floreios conjugados, numa espécie de solenidade da trova!
-Baita Trovador!, como diz a propaganda da cevada.
Mentir...
Que se minta para encobrir o sofrimento alheio, para evitar o pior - por mais que isto gere controvérsias - e não para espizinhar, dilacerar no que verte de melhor de um ser humano.. Aliás, é a última tendência das entrevistas ping-pong do Caderno Donna, da Zero Hora.
Há um provérbio que diz: “Viver não custa, precisa-se é saber viver”.
Penso que muita gente interpreta mal este provérbio quando se esquece que saber viver implica respeitar o viver alheio.

Uma pausa para o samba

Não fiz por mal a minha vazada do samba. Desde que me adentrei a este mundo ouvi vários personagens dizendo ‘cansei do samba, desta vida. Enjoei. As mesmas caras, mesmas músicas. Não quero mais. Não vou mais ao samba.”
Eu na hora pensava: “mas como?”
E o hilário é que estes ‘sindicalistas’ NUNCA deixaram o samba, aqui, em Porto Alegre.
Que bom! Gosto deles, e muito...
Freqüentar uma muvuca, com galera ferrenha e fiel nestas festas de batuques e balagandãs, tem um preço a pagar:
O preço da intimidade não permitida.
Vira uma espécie de família. A família do sorriso e a família do verbo. Dedo no bolo é pooouco. O negócio é falar(e põe falar nisto).
Produto em oferta?
Fofooca!

Eu deixei, eu permiti, eu participei váááárias vezes. Faz parte. O segredo é saber induzir a levada. Interpretar na esportiva e seguir o fado.
Hoje falo do samba.
Mas quer saber?
Vi isto em outras tribos também. Os papos sempre são pesados, mesmo com o intuito de ajudar a “coordenar a tua vida”!
Isto fez com que eu acordasse.
Tarde até... tarde demais.
“O mundo gira e eu vou girar também”, como diz o samba.
Meu afastamento são por motivos psicológicos. Motivos gravídicos. Motivos espirituais e motivos de pausa.
Abandonar o samba?
Nuuuunca.
Meu bebê curte um samba já no ventre! Pudera...mãe tocando, ouvindo e cantando. Se firmou!
Eu só preciso de um tempo.
Me sinto um Van Gogh da ótica. Enquanto os impressionistas usavam a cor para reproduzir imagens, ele aproveitou os elementos do impressionismo e adaptou de forma, proposital, para expressar-se com mais vigor. Fazia de um quadro ‘da noite’, por exemplo, sem a cor preta. Então, o que me é dito de conselhos maternais e de vida eu multiplico, aumento de forma espetacular. Quando me vejo estou travada, impressionada, assustada ou mesmo, chateada. É enxergar uma grávida que te põem a prova de fogo. Falam do teu futuro, afirmam fatos negativos, debocham, te chamam de ‘corajosa’(minha mãe também foi). Comandam como se tu fosse um jogo. O controle de vídeo-game da tua vida.
“- Não pode ser assim!”, advertiu, pela milésima vez, meu médico.
Fechem-se as portas da audição!!!
Foda-se quem não acredita nestes sintomas hormonais aos quais, uma mulher grávida, sente.
A mudança não é somente no corpo; a mudança é no estado de humor, na sensibilidade de enxergar a vida enfim, de levar ela, entende?

Pra evitar; sumi. Pra não me magoar, escapo de comentários. Estou aprendendo(ainda) a me calar.
E eu tentei continuar a sair...
Levei caaada tombo, cada cilada que passei a me assustar. As saídas(últimas que fiz) foram um exemplo que estou pior.
Muito mais sensível a ponto de ser pára-raio de cargas negativas fortes. As experiências que tive, ao sair, foram pesadas a ponto de tirar, por total, o controle emocional. Acreditem se quiserem. Quem esteve do meu lado viu.
Isto que beiro aos 35 anos e continuo sendo uma eterna menina(porém mudada hormonalmente). Quem não gosta de carinho, afeto, dengos e mimos? No meu caso, eu sou demais! Tem uma turma que, quando falo já adverte:
“- NÃOOO MIIIAAA!!!”
Partindo desta premissa segui o drástico. Abandonar, temporariamente, a noite. Definir não tem como. Não sabemos o dia de amanha!!!! Tenho, somente, que escolher, a dedo, minhas saídas. Não ser “Bandeira do Divino” em todos os convites que recebo( e são muitos...nem eu dava conta). Está sendo melhor e me sinto de alma lavada.
Prefiro, hoje, a cumplicidade que tenho com o pai do meu filho-minha filha(a eco para saber o sexo tá chegando!!!), das conversas e boas risadas, a dois(ops, a três).
Aprecio e agradeço as boas gargalhadas e típicas atitudes cômicas de minha família- A Graaaande Família!!!!
Me acalmo, com o silêncio do meu apartamento e o afeto puro e fiel dos meus felinos.
Do samba, restaram o carinho que continuo tendo por contados, a dedo, guerreiros amigos.
O anonimato, mesmo que temporário, do que estou passando agora está sendo o melhor remédio. Quero paz, mais do que nunca na vida.
Quem guia sou eu, quem me destina é Deus.