sábado, dezembro 09, 2006

Uma pausa para o samba

Não fiz por mal a minha vazada do samba. Desde que me adentrei a este mundo ouvi vários personagens dizendo ‘cansei do samba, desta vida. Enjoei. As mesmas caras, mesmas músicas. Não quero mais. Não vou mais ao samba.”
Eu na hora pensava: “mas como?”
E o hilário é que estes ‘sindicalistas’ NUNCA deixaram o samba, aqui, em Porto Alegre.
Que bom! Gosto deles, e muito...
Freqüentar uma muvuca, com galera ferrenha e fiel nestas festas de batuques e balagandãs, tem um preço a pagar:
O preço da intimidade não permitida.
Vira uma espécie de família. A família do sorriso e a família do verbo. Dedo no bolo é pooouco. O negócio é falar(e põe falar nisto).
Produto em oferta?
Fofooca!

Eu deixei, eu permiti, eu participei váááárias vezes. Faz parte. O segredo é saber induzir a levada. Interpretar na esportiva e seguir o fado.
Hoje falo do samba.
Mas quer saber?
Vi isto em outras tribos também. Os papos sempre são pesados, mesmo com o intuito de ajudar a “coordenar a tua vida”!
Isto fez com que eu acordasse.
Tarde até... tarde demais.
“O mundo gira e eu vou girar também”, como diz o samba.
Meu afastamento são por motivos psicológicos. Motivos gravídicos. Motivos espirituais e motivos de pausa.
Abandonar o samba?
Nuuuunca.
Meu bebê curte um samba já no ventre! Pudera...mãe tocando, ouvindo e cantando. Se firmou!
Eu só preciso de um tempo.
Me sinto um Van Gogh da ótica. Enquanto os impressionistas usavam a cor para reproduzir imagens, ele aproveitou os elementos do impressionismo e adaptou de forma, proposital, para expressar-se com mais vigor. Fazia de um quadro ‘da noite’, por exemplo, sem a cor preta. Então, o que me é dito de conselhos maternais e de vida eu multiplico, aumento de forma espetacular. Quando me vejo estou travada, impressionada, assustada ou mesmo, chateada. É enxergar uma grávida que te põem a prova de fogo. Falam do teu futuro, afirmam fatos negativos, debocham, te chamam de ‘corajosa’(minha mãe também foi). Comandam como se tu fosse um jogo. O controle de vídeo-game da tua vida.
“- Não pode ser assim!”, advertiu, pela milésima vez, meu médico.
Fechem-se as portas da audição!!!
Foda-se quem não acredita nestes sintomas hormonais aos quais, uma mulher grávida, sente.
A mudança não é somente no corpo; a mudança é no estado de humor, na sensibilidade de enxergar a vida enfim, de levar ela, entende?

Pra evitar; sumi. Pra não me magoar, escapo de comentários. Estou aprendendo(ainda) a me calar.
E eu tentei continuar a sair...
Levei caaada tombo, cada cilada que passei a me assustar. As saídas(últimas que fiz) foram um exemplo que estou pior.
Muito mais sensível a ponto de ser pára-raio de cargas negativas fortes. As experiências que tive, ao sair, foram pesadas a ponto de tirar, por total, o controle emocional. Acreditem se quiserem. Quem esteve do meu lado viu.
Isto que beiro aos 35 anos e continuo sendo uma eterna menina(porém mudada hormonalmente). Quem não gosta de carinho, afeto, dengos e mimos? No meu caso, eu sou demais! Tem uma turma que, quando falo já adverte:
“- NÃOOO MIIIAAA!!!”
Partindo desta premissa segui o drástico. Abandonar, temporariamente, a noite. Definir não tem como. Não sabemos o dia de amanha!!!! Tenho, somente, que escolher, a dedo, minhas saídas. Não ser “Bandeira do Divino” em todos os convites que recebo( e são muitos...nem eu dava conta). Está sendo melhor e me sinto de alma lavada.
Prefiro, hoje, a cumplicidade que tenho com o pai do meu filho-minha filha(a eco para saber o sexo tá chegando!!!), das conversas e boas risadas, a dois(ops, a três).
Aprecio e agradeço as boas gargalhadas e típicas atitudes cômicas de minha família- A Graaaande Família!!!!
Me acalmo, com o silêncio do meu apartamento e o afeto puro e fiel dos meus felinos.
Do samba, restaram o carinho que continuo tendo por contados, a dedo, guerreiros amigos.
O anonimato, mesmo que temporário, do que estou passando agora está sendo o melhor remédio. Quero paz, mais do que nunca na vida.
Quem guia sou eu, quem me destina é Deus.

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