terça-feira, abril 17, 2007

Para você, meu filho...

Não importa se no futuro, não terei um conto de fadas com o Ale. Para mim, o que importa foi este histórico louco, do vai-vem de nossas vidas e o que o meu filho representa para mim.

Escrevi para o João Vicente ler no caderninho de recordações do Chá de Fraldas que fiz. Várias amigas deixaram mensagens lá para ele.

Eu fiz a minha e, um dia, ele lerá!

Ele saberá que Jesus o levou para os meus braços para abençoar. E saberá que na vida de sua mãe, existiu um amor de verdade.


JOÃO VICENTE

É meu filho! Chegou a hora de falar o que há muitos anos pulsa em mim.
Falar e confessar a ti, meu amado João Vicente, o quanto eu desejei a tua chegada em minha vida.
Tudo começou, na adolescência, quando conheci uma linda menina de nome Sofia. Ali, conclui que queria um dia, ser mãe. Tinha apenas 17 anos. Idade precoce para idealizar a maternidade. Então, tua mãezinha foi se atarefando com outros quesitos da vida: estudou muito, respeitou a sua família(seus avós e tios), fez muita festa e descobriu que amava a cultura africanista. Praticou por sete anos a capoeira e, somado aos ritmos percussionistas, conheceu o samba. Se enfeitiçou de tal forma que, depois de formada- já jornalista, adentrou no mundo do samba portoalegrense.
O ano? 1999. Não sabia que, na terra dos pampas, existia uma comunidade com costumes e musicalidade carioca. O Rio de Janeiro era, de certa forma, representado por tribos sambísticas daqui, da tua terra meu filho. Da tua cidade chamada Porto Alegre!
Adoradora de percussão, mais precisamente, pelo pandeiro, tua mãe começou, homeopaticamente, a tocar e freqüentar, de modo maroto e sadio, as respeitosas rodas da velha guarda gaúcha. Conheceu este mundo e não largou mais.
E veio o ano de 2000. Era um ano que prometia várias mudanças sociais no país: no nosso Brasil, meu amado. A sociedade-principalmente a carioca, queria dar um basta na violência das ruas.
A noticia moveu todas as regiões do país no mês de julho. E neste mesmo mês, a tua mãe foi ao aniversário de uma sambista muito pitoresca, daqui, do Sul. Era o aniversário de sua amiga Anete, apelidada por tua mãezinha de “Porta-Voz do Samba”!
A data da festa?

Sete de julho de 2000.

Justamente no dia em que o Brasil inteiro se mobilizava para dar um basta na violência. Todos os veículos de comunicação pediam neste dia, que nós, brasileiros e brasileiras, nos vestissemos de branco e acendêssemos uma vela branca nas janelas.

Era o protesto que pedia PAZ NO MUNDO!

Fatos e datas juntados à festa de aniversário deu nisto:
A maioria dos convidados presentes estavam de branco!
O cenário ficou lindo.
O branco é a união de todas as cores(é vida meu filho, é paz...);

Tua mãezinha estava faceira com tantos amigos a sua volta. Cantava e dançava o melhor do samba.

E, num determinado momento da festa, quando a música do Jorge Aragão tocava, tua mãe deparou-se surpreendentemente com o teu pai.

Algo que nunca saberei te explicar, meu filho.

Congelaram movimentos e ficamos naquele ambiente dançante: dois seres parados, apenas se olhando...enfim, se namorando.

Estávamos estaqueados, imóveis.

Foi amor à primeira vista, meu filho.
Em seguida teu pai pediu para dançar. Sem hesitar, dancei.

Conversas foram trocadas, e a paixão tomou conta.

Tua mãe e teu pai estavam, literalmente, envolvidos. Veio o primeiro beijo e uma despedida que, nem eu nem teu pai saberia a verdade que o destino nos reservava.
Era a despedida de que teríamos que aprender, e muito, com Deus. Apareceram os encontros, os desencontros e a pausa do destino.
Cada um foi para o seu lado, na virada do ano novo; o ano de 2001. Ali houve uma pausa, do destino, fazendo que, tanto a tua mãezinha e o teu pai seguissem caminhos diferentes.

Não era a nossa hora.
Nos reencontramos, então, em 2005.

Acredita meu filho!?!
Depois de cinco anos eu reencontrei o teu pai!!!
No começo achei que não era coisa do destino. Que Deus já havia posto ele no meu caminho e que, neste ano, não teria mais nada a tratar com o teu pai.
Estava enganada.
Tua mãe não sabe explicar o porquê.

Mas relutou em dar continuidade àquela história de amor, que iniciou no dia da Paz, há cinco anos.
Nada, na Vida, acontece por acaso.

Nada se programa.

Somos pretensiosos em reger nossas vidas.

Esta foi a grande lição que a tua mãezinha aprendeu com da Vida.
Deus soube a hora certa, para declarar um marco na minha vida. A “Mãe Natureza” também é sábia e, não se engana!
Em 2006, entre acordes e melodias, entre beijos e fugas de amor com teu pai, veio a surpresa:
Tu estavas concebido e abençoado por Deus, no ventre da tua mãe.
Foi uma surpresa!

Tanto que a tua mãezinha se sentiu embriagada, confusa com a notícia.
Como, quando, onde e por quê?

Eu fiz um leitura do meu futuro contigo meu filho.

A leitura de ser guerreira, de ser eu e tu. Somente nós dois. Não sei explicar. Mães tem este instinto...
Ninguém decide nosso destino, meu filho!
Temos a benção dos anjos, o aval da natureza e o registro de que Deus(somente Deus!) sabe a exata hora de mudarmos nossas vidas.
Tu vieste para ficar, para me dar muito felicidade, João Vicente!
Viestes para preencher um vazio que cultivei desde a minha adolescência, ou melhor, desde quando brincava com minhas bonecas, ainda menina, desejando um dia, ser Mãe!
Hoje eu me orgulho, e muito, de ti, meu adorável filho!
És fruto de que nada é por acaso. És a prova viva, que correrá pelos corredores de minha casa, de que um dia o amor existiu, de fato, na vida da tua mãe!
Te amo, meu filho, mais que tudo nesta vida! Para o todo e sempre, eterno João Vicente, meu filho!

3 comentários:

anah ferraz disse...

Que lindo, Fabi! Não consegui te visitar ainda pq tô na correria, mas com certeza nos veremos agora qdo o João nascer, tá? Só falta ser hoje no dia de São Jorge, aí vai ter que mudar o nome do pimpolho, né amiga? Ahahahah... Boa sorte, bom parto e muita luz procês!!! Bjssssssss, Anah

Di Luz Pockrandt disse...

Fabi...

A Bíblia diz que os filhos são Herança do Senhor... penso de verdade que é uma herança que não tem valor nem preço...

Sua historia com o JV é linda, seu amor por ele é evidente, e penso que apesar dos pesares amamos os pais dos nossos filhos neles...

isso é fato, por que não anulamos DNA, mas convivemos muito bem com eles...

Tu é de uma força linda e ao mesmo tempo delicada e graciosamente suave e doce!!!

Amo a vida de vocês dois...

bjhos

Nati disse...

Nossa, Fabi!
Não consegui ler sem me emocionar.
Lindas as tuas palavras e o teu desejo de ter um filho.
Se foi Deus, não sei, mas sei que independente do que trouxe ele pra ti, tu tiveste e te tornaste mais completa.
Tenho o mesmo desejo que tu, mas só vai acontecer, na hora certa.
Estes dias, vendo um video de uma guriazinha risonha, me emocionei... Crianças são tão puras e felizes. Nos completam.

Desejo tudo de lindo na vida dos dois.
Beijo grande.

P.S.: Sempre achei lindo o nome Vicente.