quarta-feira, janeiro 18, 2006

NÃO DEIXE O SAMBA MORRER


Faz um tempo... devido a esta minha 'alma negra', o samba, sempre será presente em minha vida! Aqui, em Porto Alegre, existe um Bar...gueto...bunker do samba. O nome: Bar do Ricardo! Uma viagem...mas foi lá que achei a essência deste estilo musical... aí vai:

O Bar do Ricardo

No manto da noite, entre palcos da vida, surge, numa espécie de paradoxo de bares e casas noturnas da cidade de Porto Alegre, um espaço digno e genuíno do legítimo samba de raiz.
Quem acha que na terra dos pampas há somente as tradições do povo gaúcho, engana-se. O bar fica na subida da rua Caldre Fião. A propósito, esta leva o nome de honraria a um grande abolicionista e, também, carrega com histórias fantásticas do imaginário o mistério da morte e crença de Maria Degolada. Um espaço que desponta como um bar do povo. Sem distinção, o estabelecimento agrega todas as tribos de cores e classes sociais. Enfim, um bar para todos
Imantado num surrealismo da manifestação artística, cada cidadão que comparece ao bar não o faz apenas para beber e cantar, mas, sim, para enaltecer ao mundo, de forma pura, como um picadeiro, em quem canta seus males espanta. E como espanta!
São tantos fatos, tantos registros de celebridades do samba, que já marcaram um pouquinho da história no Bar do Ricardo, que basta agradecer a Nossa Senhora da Conceição por abençoar as quatro estações noturnas deste estabelecimento.
Como um bom samba, as músicas aglomeram verdadeiros relatos da escola da Vida, algumas calejadas do destino e a grande maioria uma overdose de poesia. Verte daí o melhor da simplicidade, o ápice da natureza bambista e da essência de ‘gente da noite’. Ah... Noel Rosa, Ataúlfo, Pixinguinha, Cartola, Nelson Sargento e Monarco... São tantos os menestréis que compuseram verdadeiras obras de arte das letras, que fica difícil designar tantos registros de devaneios de nossos corações. A estes imortais do samba e da MPB que surge o ensaio, a manifestação, o show doado pelas vozes do público e, principalmente, interpretado por carismáticos cantores, entre tantos, a nossa especial e amada vocalista Jô, do afinadíssimo Grupo Prometeus, banda da casa. São eles, a cavalaria de frente do Bar do Ricardo, que conduzem aos freqüentadores o melhor da festa, a magia de cantar o nosso samba!
Por fim, nesta alquimia de etnias, o Bar do Ricardo elege-se como espaço alternativo e diferenciado, designando-se, assim, ao seu topo de Quilombo Democrático de Bambas! Valeu Ricardo! Obrigada Giza, por agraciar um espaço 100% samba de raiz!

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